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segunda-feira, 10/05/2021

Escândalo: o trator da corrupção desvia bilhões do Orçamento da União

‘Bolsolão’, como foi apelidado o ‘orçamento secreto’, é o maior esquema de compra de votos da história do país (arte: Cristiano Siqueira/crisvector)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criou um esquema bilionário para obter apoio do Congresso na última eleição que elegeu seus candidatos.

Segundo reportagem veiculada na edição neste domingo, 9 de maio, do jornal O Estado de S. Paulo, o chefe do Executivo reservou um orçamento secreto de R$ 3 bilhões em emendas, boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo.

Devido a semelhanças com o ‘Mensalão’ do PT – esquema de compra de votos que estourou em 2005, e que custou aos cofres públicos mais de R$ 140 milhões – este ‘orçamento secreto’ do atual governo já foi apelidado de “Bolsolão” e “Tratoraço“, em referência aos equipamentos agrícolas superfaturados.

A reportagem encontrou o orçamento em um conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos.

Os documentos mostram que o esquema atropela leis orçamentárias, pois são os ministros que deveriam definir onde aplicar os recursos, e dificulta o controle do Tribunal de Contas da União (TCU) e da sociedade. Os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos, e a distribuição dos valores não é equânime entre os congressistas, atendendo a critérios eleitorais. Só ganha quem apoia o governo.

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que contou com o apoio do Planalto para eleger Rodrigo Pacheco, determinou a aplicação de R$ 277 milhões de verbas públicas só do Ministério do Desenvolvimento Regional, assumindo a função do ministro Rogério Marinho.

Ele precisaria de 34 anos no Senado para conseguir indicar esse montante por meio da tradicional emenda parlamentar individual, que garante a cada congressista direcionar livremente R$ 8 milhões ao ano.

Roubalheira bilionária

Esta é a confirmação do que já sabíamos: o governo usou R$ 3 bilhões do Orçamento Público para eleger os presidentes da Câmara e do Senado. Dinheiro suficiente para comprar mais de 170 milhões de doses da vacina AstraZeneca ou pagar um milhão de salários de enfermeiros(as).

Ao deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), o governo aceitou pagar R$ 359 mil em um trator que, pelas regras normais, somente liberaria R$ 100 mil dos cofres públicos. No total, o deputado direcionou R$ 8 milhões.

Os deputados do Solidariedade Ottaci Nascimento (RR) e Bosco Saraiva (AM) direcionaram R$ 4 milhões para Padre Bernardo (GO), cidade a cerca de dois mil quilômetros de seus redutos eleitorais, para máquinas agrícolas. Se a tabela do governo fosse considerada, a compra sairia por R$ 2,8 milhões.

As máquinas são destinadas a prefeituras para auxiliar nas obras em estradas nas áreas rurais e vias urbanas e também nos projetos de cooperativas da agricultura familiar. Políticos costumam promover festas de entrega dos equipamentos, o que lhes garante encontros e fotos com potenciais eleitores em ano pré-eleitoral.

Dentre outros defensores de Bolsonaro na ‘CPI da Covid’ e no Congresso Nacional, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), e os senadores Fernando Bezerra (MDB/PE) e Ciro Nogueira (PP/PI) receberam, respectivamente, R$ 114, R$ 125 e R$ 135 milhões, segundo os documentos oficiais.

Ao serem entrevistados, deputados e senadores negavam o direcionamento dos recursos ou se recusavam a prestar informações. Confrontados com ofícios assinados por eles e a planilha do governo, acabaram por admitir seus atos.

‘Caixa 2’, com outro nome

Na prática, a origem do novo esquema está no discurso de Bolsonaro de não distribuir cargos, sob o argumento de não lotear o primeiro escalão do governo.

De um jeito ou de outro, a moeda de troca se deu por meio da transferência do controle de bilhões de reais do orçamento ao Congresso. Tudo a portas fechadas, longe do olhar dos eleitores.

*Com informações da revista CartaCapital.

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