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quinta-feira, 29/10/2015

Julgamento de réus da “Chacina de Unaí” entra no terceiro dia com depoimento dos réus

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Norberto Mânica é acusado de ser um dos mandantes da chacina

 

O terceiro dia do julgamento dos acusados de envolvimento no assassinado quatro servidores do Ministério do Trabalho, no crime que ficou conhecido como “Chacina de Unaí”, começou por volta de 9h30 e será marcado pelo depoimento dos réus. Norberto Mânica e José Alberto de Castro estão ouvidos nesta quarta-feira (29) na sede da Justiça Federal, na região centro-sul de Belo Horizonte.Segundo o advogado de Castro, Cleber Lopes, seu cliente irá confessar a sua partipação no crime.

 

— Meu cliente vem a plenário no júri pedindo para ser condenado pelo o que fez. O que ele fez foi companhar o Chico Pinheiro para a morte de um fiscal. Ele partipou de um homicídio.

 

A sessão foi aberta com a exibição de alguns vídeos e reportagens sobre o crime, que aconteceu em 2004 . Em seguida, terá início o depoimento dos acusados e, na sequência, acontecerá fase de debates entre os advogados de defesa dos acusados e a acusação.

 

Na quarta-feira (28) foram encerrados os depoimentos de testemunhas. Ao todo foram ouvidas 30 pessoas desde o início do júri popular, sendo a delação premiada do empresário Hugo Alves Pimenta, que também é réu no processo, um dos depoimentos mais importantes. Ele deu detalhes de como Norberto Mânica contratou pistoleiros para matar os fiscais do Ministério do Trabalho que investigavam trabalho escravo e outras irregularidades em fazendas no noroeste mineiro em 2004.

 

Aos jurados, Pimenta detalhou que Norberto o questionou sobre algum pistoleiro disponível para matar “o Nelson”. Em outro momento, contou que, depois do crime, perguntou a Norberto se o fazendeiro se arrependia dos assassinatos. O Rei do Feijão teria dito: “O Nelson eu mataria mil vezes”. Já o réu José Alberto de Castro foi apontado como o contato de Mânica com os pistoleiros.

 

A sessão terminou por volta de 20h, após quase 12 horas de julgamento. Ao todo, foram ouvidas 17 pessoas nessa quarta-feira. Além de Norberto e Castro, outros dois réus serão julgados a partir da próxima semana. O ex-prefeito de Unaí, Antério Mânica, enfrentará o júri no dia 4 de novembro. Já Pimenta conseguiu ter o processo desmembrado e será julgado separadamente, no dia 10 de novembro.

 

Relembre o caso

Em 28 de janeiro de 2004, os três fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram mortos a tiros em uma emboscada em uma estrada de terra, próxima de Unaí, na região noroeste do Estado. Na ocasião, as vítimas faziam visitas de rotina a propriedades rurais.

 

O carro do Ministério do Trabalho foi cercado por homens armados, que mataram os fiscais à queima-roupa, ainda atados aos cintos de segurança. A fiscalização visitava a região devido à denúncias sobre trabalho escravo.

 

Apenas nove anos depois, o caso começou a ser julgado, em razão, principalmente, dos recursos interpostos por alguns dos acusados. No entanto, nenhum dos mandantes tinha sido julgado pelo crime.

 

*Fonte: Portal R7.

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