Fenasps

sexta-feira, 20/11/20

2020: o ano em que o mundo gritou que vidas negras importam!

Ilustração faz alusão ao brutal espancamento e homicídio de João Alberto Silveira, homem negro de 40 anos, às vésperas do Dia da Consciência Negra (charge: Latuff)

Além da pandemia de Covid-19, 2020 ficará marcado na história por ter sido o ano em que manifestações eclodiram por todo o mundo, realizadas com o propósito de dizer que vidas negras importam.

O estopim dessas manifestações foi o covarde assassinato de George Floyd, e sua repercussão justamente se deu por ter sido gravado, resultando em um vídeo agonizante, em que por mais de oito minutos Floyd clama por sua vida, enquanto um policial branco da cidade de Minneapolis, Estados Unidos, segue com seu joelho sufocando a sua vítima.

Este caso escancara, na América do Norte nua e crua, que a violência racial do Estado é quase universal. A Fenasps já divulgou dados que demonstram que negros ganham menos que brancos – e as mulheres negras acabam sendo a base dessa pirâmide social.

Porém, no Serviço Público, onde os trabalhadores(as) têm a oportunidade de se inscrever, passar e entrar nos órgãos públicos, o governo está propondo uma “reforma” administrativa que nada mais é que entregar os serviços públicos aos ricos que visam apenas o lucro, aumentando assim a marginalização e discriminação entre a classe trabalhadora!

No vídeo abaixo, militantes da Fenasps e de diversos sindicatos filiados fazem depoimentos sobre o Dia da Consciência Negra.

Para além da violência social e econômica perpetrada pelo sistema capitalista, que é excludente por sua natureza, é preciso lançar luz sobre a violência brutal e homicida das forças policiais.

No Brasil, são incontáveis episódios, mal investigados e alguns não elucidados, de violência racial promovida pelo próprio Estado, muitos deles contra inocentes crianças. Como foi o caso do menino João Pedro, de 14 anos, morto por tiros de policiais dentro de sua própria casa, em São Gonçalo/RJ, ou da menina Ágatha Félix, de apenas oito anos, vítima de disparos vindos de PMs no Complexo do Alemão, no Rio.

Sequer precisamos ir mais longe: na noite dessa quinta-feira, 19 de novembro, véspera deste Dia da Consciência Negra, João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, foi brutalmente espancado e morto por seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre/RS.

Assim como nos casos acima – e nos abaixo – a FENASPS faz homenagem a João Alberto e exige punição de todos responsáveis!

Nenhuma gota de sangue derramada será esquecida

Os casos de violência contra a população negra citados acima são mais recentes, mas jamais nos esqueceremos de Amarildo Dias de Souza, desaparecido em 2013, cujos assassinos, PMs da UPP da Rocinha, foram absolvidos em março de 2019, e o caso arquivado sete meses depois; da vereadora Marielle Franco, executada junto de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, num caso que demonstra a força das milícias e sua influência na política do RJ, com ramificações inclusive na família Bolsonaro; e de Evaldo Rosa e Luciano Macedo, mortos após uma operação do Exército que desferiu mais de 80 tiros em um carro de passeio, em 2019, à luz do dia, também no Rio de Janeiro.

As vozes que gritaram mundo afora pelas vidas dos negros e negras encontraram ecos aqui no Brasil, nas eleições municipais realizadas no último domingo, 15 de novembro. Elas deram um breve alento neste terrível cenário: na maior cidade do país, São Paulo, a vereadora eleita com mais votos foi uma mulher trans, negra e periférica. Também foram candidatas negras que lideraram a votação para as câmaras de Porto Alegre (RS) e de Recife (PE), com destaques também em outras capitais.

Este pode ser o começo de uma onda antirracista e feminista, cujo principal recado dado nas urnas desse atípico ano de 2020 foi: fora racistas, fora machistas, fora homofóbicos! Que o principal recado das próximas eleições, em 2022, seja fora Bolsonaro!

Agora, é papel da classe trabalhadora abraçar a causa racial e de gênero como se fosse para defender seu próprio emprego, sua própria família, sua própria existência. Porque, para muitos, afinal, a luta antirracista significa exatamente isso: o direito de existir.

VIVA A RESISTÊNCIA NEGRA! VIVA ZUMBI DOS PALMARES!

Diretoria Colegiada da FENASPS

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